Alan era cheio de sardas, assim como eu. Apaixonei! Mamãe achava graça, ouvindo a narrativa lúdico-jardim-infantesca sobre um namoro com cheiro de eternidade... Creio que foi a única vez que falei com ela sobre amores.
Revi Alan lavando o carro com o pai, carinha mais limpa. E eu, já soutien! Percebi que ele nunca se dera conta de nosso romance sob os doces olhos da tia Tânia. Nessa época, meu coração já era todo Reginaldo, com direito a ovo de chocolate e um belo chaveiro de dizeres “com amor” G-A-R-R-A-F-A-I-S. Presentes meus a ele. Junto a isso vieram uma perseguição insana de uma moça da oitava série (eu, na quinta) e a auto promessa: “AMAR, NUNCA MAIS”!
A moça da oitava série é mãe de cinco dos nove filhos de Reginaldo! Soube disso tempos depois no último jogo de vôlei do encontro de grêmios...
Ace, ace, ace!
Nem me dei conta que era a maior pontuadora nessa jogada, só tentava ajeitar a cabeça pra receber o beijo “aparelhado” de Raul, aliás, não entendi muito bem - até hoje - como ele soube que estávamos apaixonados, ali, naquele momento, depois de longa amizade...
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E acontece Luiz Paulo, meu Long Play, style street. Muita pista de skate, Gangrena Gasosa, Caverna, Garage, Adrenalina (o bar)... não sei ao certo onde parou... (sinto falta, às vezes). Talvez tenha terminado naquela terça-feira no largo de são Francisco (que em 1991 ainda comportava um terminal de ônibus), quando parei estatelada olhando estupefata praquele homem de sorriso lindo e louro me segurando pelo braço dizendo que aquele era o dia mais perfeito de sua vida... cá entre nós: da minha também. (...) Revival de Raul (sem aparelhos)! Que durou o tempo de existir Vinícius – minha fênix.
Nesse tempo “mãe pára-quedas” parâmetros se criam sem serem determinados, acontecem. Cartão de vacinação, fraldas de molho, dia de chuva: sem padaria. Seios intensos de leite e cheios de solidões inventadas... e um hiato incompreensível entre o agora e o instante antes.
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Dura-se, não sei quanto na idéia mecânica, mas há uma duração (imensurável) necessária para que se mature experiências – uma ruminação. Quando acaba, sabe-se lá quando, estamos aptos, sabe-se lá a quê!
Entre Sem Destino, sacristia, papo rolha, bambuzal, amendoeira (antrospoéticospermissivolascivos – BPC – BOMPRACARALHO ) e Norton, Luciano, Cuíca, Dick, Fabão (fimdenoiteetílicoprodutiva³) havia apenas uma separação silábica.
Muito texto escrito e revisado a gelo, vodka e insônia. Hora de Andre ar. Ave insólito!
Veio a festa, a bonança, calmaria familiar, papos de madruga a 95º, mentes requintadas, permanência serena, eu aprendiz até o silêncio de um cansaço. Aquele tipo de fastio que não se percebe o início, ou melhor, percebemos, mas não queremos. Eis que o avesso atropela com força e vontade – tudo é só tempestade até o silêncio eterno, aquele que dilacera.
Tempo este - o agora - de novamente ruminar...
***Raquel Teixeira (Confabulante dos botões, em busca de um verbo pra chamar de seu).
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Relato de uma detentora de vazios
Eu não sei escrever poesia
Eu não sei nem o que sei
Queria poder entender, saber mesmo alguma coisa, pegar a laço reter como meu e dizer: isso eu domino!
Mas é passo e passo e nada sei.
Deve ser a tal idade, àquela que chegamos a conclusões.
Cheguei.
Raquel Teixeira, à procura de chão.
Eu não sei nem o que sei
Queria poder entender, saber mesmo alguma coisa, pegar a laço reter como meu e dizer: isso eu domino!
Mas é passo e passo e nada sei.
Deve ser a tal idade, àquela que chegamos a conclusões.
Cheguei.
Raquel Teixeira, à procura de chão.
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